Modric se renova no Milan às vésperas de mais uma Copa
“Nenhuma surpresa”, diz o brasileiro Casemiro sobre o meia croata de 40 anos, seu amigo dos tempos de Real Madrid; os dois vão se enfrentar em amistoso no dia 31
O pequeno Luka Modric se encantou na infância com um esquadrão que extrapolava fronteiras e iluminava os gramados da Europa: era o Milan tricampeão italiano (1992 a 1994) e dono de três títulos europeus em seis temporadas (1989, 1990 e 1994). A carreira profissional o levou a outro destino: foi com a camisa branca do Real Madrid e a quadriculada da seleção croata que o meio-campista de fôlego incansável e toque preciso conquistou fãs ao redor do mundo.
Quando anunciou, ano passado, que iria defender, enfim, o time do coração, muitos imaginaram que seria uma passagem quase simbólica para realizar o sonho de criança. Em pouco tempo, a torcida do Milan viu um renovado Modric mostrar que, aos 40 anos, ainda tem fôlego e talento de sobra para ser protagonista também no San Siro.
Vice-líder do Italiano, o Milan tem em Modric seu grande nome na temporada. É um dos líderes em partidas disputadas, minutos em campo e em bolas recuperadas, mesmo sendo o jogador mais velho do elenco. Para além dos números, o croata se destaca também pela personalidade, a classe de sempre e a identificação com a torcida desde os primeiros jogos.
“Qualidade e inteligência”, elogia Casemiro
O brasileiro Casemiro formou com Modric e o alemão Toni Kroos um meio-campo inesquecível em uma das fases mais vitoriosas do Real Madrid. Quem viu de perto o meia franzino, de 1,72m, se agigantar em partidas históricas pelo time espanhol não se espanta com a rápida adaptação ao novo clube.
– Sem dúvida, o crescimento do Luka é de se admirar, principalmente por não ser um cara tão alto e forte. Mas a verdade é que ele tem uma qualidade com a bola fantástica, além da inteligência para jogar, e isso faz a diferença. Para mim, não é nenhuma surpresa o bom momento que ele está vivendo no Milan. É um cara que sempre se cuidou muito – afirmou Casemiro ao ge.
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Modric e Casemiro comemoram um gol pelo Real Madrid: os dois jogaram juntos por quase uma década no time espanhol — Foto: AFP
Os dois amigos vão estar frente a frente no amistoso entre Brasil e Croácia, dia 31, em Orlando (EUA). O atual volante do Manchester United está feliz por revê-lo em campo, mas sabe que nessa hora a alegria dá lugar à preocupação com o rival.
– É sempre bom reencontrar o Luka depois de tanto tempo, não só pelo que conquistamos juntos, mas também por se tratar de um amigo. Para mim, é o maior jogador da história da Croácia. Então, ao mesmo tempo que é bom reencontrá-lo, você sabe que vai enfrentar um jogador de altíssima qualidade. Ele já demonstrou isso no Real e continua demonstrando no Milan – observou Casemiro.
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Luka Modric, capitão e camisa 10 da Croácia — Foto: REUTERS/Marko Djurica
Duas décadas de seleção croata
Modric comemorou no início de março 20 anos da sua estreia na seleção principal da Croácia. Recordista de partidas pela equipe nacional (194 jogos), o meia está entre os convocados do técnico Zlatko Dalic para os amistosos contra a Colômbia, dia 26 de março, e Brasil, dia 31, na reta final de preparação para sua quinta Copa do Mundo.
Na Itália, Modric já se tornou uma referência para o Milan. O ex-atacante Luca Toni, campeão mundial com a Itália em 2006, resumiu a facilidade com que o jogador croata desfila pelos gramados italianos.
– Com essa garotada, Modric joga com um cigarro na boca. Foi a melhor contratação de 2025, porque trouxe qualidade ao time. Poderia ter ido ganhar uma fortuna nos Emirados Árabes Unidos para preferiu se desafiar – afirmou em dezembro, durante sua participação em um podcast no país.
Ídolo do Milan no início do século, o ucraniano Andryi Shevchenko enumerou, em uma entrevista à “Gazzetta dello Sport”, os motivos que levam Modric a ser, mesmo aos 40 anos, um dos destaques no time rubro-negro.
– Todos nós conhecemos as grandes qualidades que ele tem. Eu tive a oportunidade de enfrentá-lo, a maneira como ele interpreta o jogo é impressionante. Além disso, é uma pessoa fantástica. Eu o vejo enfrentando qualquer time com a mesma qualidade e a mesma ambição. Modric joga com intensidade, sacrifício e espírito de equipe. Estou feliz por ele estar no Milan porque isso enriquece a carreira dele, jogar pelo Milan é sempre especial. E estou feliz pelos torcedores, porque eles merecem.
O croata se tornou uma unanimidade em Milão. Também à “Gazzetta”, o ex-atacante Christian Vieri, que brilhou tanto na Inter de Milão como no Milan, aprovou a aposta no veterano meio-campista.
– Só na Itália se fala tanto da idade dos jogadores. Ele estava jogando no Real Madrid no ano passado, não há dez anos. Se eu estivesse no Milan, lhe daria um contrato de cinco anos.
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Modric foi um dos destaques da vitória do Milan sobre a Inter de Milão — Foto: Getty Images
Estrela com espírito de equipe
Modric nunca fez o tipo estrela do time e se notabilizou por jogar pensando primeiro no coletivo. Mesmo assim, ou talvez por isso, foi destaque por onde passou. Natural de Zadar, pequena cidade no Noroeste da Croácia, chegou aos 15 anos à base do Dínamo Zagreb, o time mais vencedor do país. Foi emprestado ao Zrinjski Mostar, da Bósnia, para ganhar experiência, e depois ao Inter Zapresic, sendo vice-campeão croata em 2004/05.
Eleito o melhor jogador jovem da Croácia em 2004, voltou no ano seguinte para o Dínamo Zagreb com status de grande promessa, assinando um contrato de dez anos com o clube. Mas seria impossível segurar o talentoso meio-campista. Em 2008, Modric foi contratado pelo Tottenham, onde jogou por quatro temporadas.
Meio-campo histórico no Real Madrid
O grande salto na carreira aconteceu em 2012, quando se juntou ao Real Madrid para viver 13 temporadas de absoluto sucesso: 28 títulos, com destaque para seis Ligas dos Campeões da Uefa, seis Mundiais de Clube e quatro Campeonatos Espanhóis. No time de Madri, mesmo fundamental, Modric era um coadjuvante de luxo ao lado de outros astros como Toni Kroos, Karim Benzema e, acima de todos, Cristiano Ronaldo.
Na seleção croata, Modric aprendeu a ser o grande líder. Depois de duas Copas do Mundo sem grande destaque (Alemanha-2006 e Brasil-2014), conduziu seu país ao inédito vice-campeonato na Rússia-2018, depois de brilhar também na conquista da Champions League com o Real Madrid.
Eleito o melhor da Copa e também o craque da temporada europeia, Modric ganharia na sequência a Bola de Ouro e o prêmio Fifa The Best como melhor jogador de 2018, encerrando dez anos de dobradinha Lionel Messi-Cristiano Ronaldo. Era a consagração individual de um verdadeiro jogador de equipe.
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Kroos, Casemiro e Modric: trio histórico de meio-campo do Real Madrid — Foto: Alex Gottschalk / Getty Images
Já veterano, Modric conduziu com maestria um meio-campo histórico no Real Madrid campeão da Champions em 2022, ao lado de Casemiro e Toni Kroos. Um trio que se completava em campo e marcou época no clube.
– Sem dúvida, o segredo era o nosso entrosamento dentro e fora de campo. A gente tinha uma conexão muito legal, nos tornamos amigos e, além disso, cada um tinha características diferentes dos outros, o que ajudou a criar uma química muito boa – afirmou Casemiro ao ge.
Na Copa do Catar-2022, novamente Modric foi o maestro em mais uma campanha histórica. Na vitória nos pênaltis sobre o Brasil, nas quartas de final, o camisa 10 não só jogou os 120 minutos como cobrou uma das penalidades na decisão. Eliminada pela Argentina na semifinal, a Croácia terminou em terceiro lugar, batendo Marrocos na despedida.


