Tá virando moda. Xará de Crivella, Prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes, alega que servidor atacou equipe de TV

Marcelo Iunes diz que responsabilidade é do servidor, admitiu a agressão e ‘jogou’ o secretário na fogueira

Com uma coleção de denúncias do Ministério Público Estadual pesando sobre as suas costas – de empreguismo, nepotismo e operações em contratos suspeitos custeados com dinheiro da prefeitura, o prefeito Marcelo Iunes (PSDB) entra no antepenúltimo mês da eleição em mais um episódio vexatório. Agora foi a TV Morena (filiada da Rede Globo) que informou ter sido agredida verbalmente e barrada por um servidor da prefeitura, quando tentava fazer uma reportagem sobre as condições e a forma de atendimento na rede pública de saúde em Corumbá (MS).

Segundo o âncora do MS 1 da TV Morena, o servidor que tentou agredir uma repórter e um cinegrafista, ameaçando quebrar os equipamentos, é Francisco Gomes da Silva, conhecido como Chiquinho. É lotado na Secretaria de Esportes e ganha salário mensal de R$ 5.088,00. A repórter teve que chamar um guarda municipal para impedir que as ameaças se com sumas sem.

A prefeitura emitiu nota de esclarecimento afirmando, na primeira pessoa, ser “muito grave o que aconteceu”. Em seguida, procurando se preservar, joga a culpa ou transfere a responsabilidade para o secretário de Saúde, Rogério Leite: “Acredito ser uma agressão à liberdade de imprensa e a equipe da TV Morena tem nossa solidariedade. Porém, estamos encaminhando este e-mail para o secretário de Saúde para que sejam apuradas as razões do tal comportamento do referido funcionário e porque se encontrava naquele local, naquele exato momento, naquela exata hora”.

No entanto, a prefeitura é uma instituição e quem responde por ela, em primeiro lugar, é o prefeito, no caso o tucano Marcelo Iunes. Assim, é dele a manifestação endereçada à TV Morena, reconhecendo ter ocorrido agressão à liberdade de imprensa e tirando de si a responsabilidade de atos praticados por sua gestão, optando por entregar aos olhares reprovadores e condenatórios da população o seu próprio e fiel secretário Rogério Leite.

Corumbá é um dos municípios com maior número de casos de notificação positiva e de óbitos na pandemia do coronavírus. Até terça-feira pela manhã a doença já tinha causado a morte de 100 pessoas em território corumbaense. Dos 2.706 casos que foram confirmados, 2.345 estão recuperados e 241 em isolamento domiciliar.

MÁ INSPIRAÇÃO 

O episódio que acontece em MS, assemelha-se muito ao revelado pelo RJ2 na 2ª-feira (31. agosto): um esquema montado com funcionários da prefeitura para fazer plantão na porta dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, visando atrapalhar reportagens e impedir que a população fale e denuncie problemas na área da Saúde.

De acordo com a reportagem, a organização possui escalas diárias, horários rígidos e ameaças de demissão. Todo o esquema pago com dinheiro público, visava, segundo o jornal, defender o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato à reeleição. Ele assumiu que existiam os grupos intitulados “Guardiões do Crivella”.

A reportagem mostrou que:

  • por grupos de Whatsapp, funcionários da prefeitura são distribuídos por unidades de saúde municipais para fazerem uma espécie de plantão;
  • em duplas, eles tentam atrapalhar reportagens com denúncias sobre a situação da saúde pública e intimidar cidadãos para que não falem mal da prefeitura;
  • O RJ teve acesso ao conteúdo dos grupos e viu que, após serem escalados, eles postam selfies para dizer que chegaram às unidades;
  • um dos funcionários aparece em várias fotos ao lado de Crivella e tem salário de mais de R$ 10 mil;
  • quando conseguem atrapalhar reportagens, eles comemoram nos grupos;
  • a prefeitura não nega a criação dos grupos e diz que faz isso para ‘melhor informar a população’.

*Com informações do G1.  

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