Corinthians cai zerado, assusta e agora tem só o Brasileiro. Sem direito a fracasso

Timão “esgota” possibilidades, é eliminado do terceiro torneio no ano e ainda busca jogo ideal

Não adianta o torcedor do Corinthians se iludir em 2021. Não há esse direito. Será um ano de sacrifício. A terceira eliminação da temporada, agora na Copa do Brasil, contra o Atlético-GO, chega com a impressão de que o clube se livra de um problema ao não ter nada mais a disputar além do Campeonato Brasileiro.

Não adianta também reclamar da falta de reforços ou de um elenco que se apresentou diante do Atlético-GO como pouco competitivo – o Timão sai zerado, sem nenhum gol em 180 minutos (ou 270, somado o confronto do Brasileirão) contra o rival goiano.

O ano, de acordo com a presidência, é de reduzir gastos. E o foco das reduções é no time profissional, que já caiu também no Paulistão e na Copa Sul-Americana.

É com esse elenco, que por vezes parece se acostumar com a mediocridade coletiva de atuação, que o Corinthians vai disputar o Campeonato Brasileiro. Desse plantel, Sylvinho terá de ser criativo e extrair e potencializar ao máximo as coisas positivas. Sem teimosia e sem convicções irrefutáveis.

Não mais margem para fracassar. Esgotaram-se as possibilidades nos torneios com mata-mata. No Brasileiro, não reagir cobra preço altíssimo. É Corinthians por Corinthians.

Em campo

O Corinthians teve um time igual ao que venceu o América-MG, domingo passado, com exceção dos laterais: Fagner deu lugar a Bruno Méndez, e Fábio Santos a Lucas Piton. Uma linha de quatro defensores, com três volantes, sendo Cantillo o mais recuado e Gabriel e Roni os mais avançados. Araos caindo pelo lado esquerdo, Gustavo Mosquito pelo direito e Luan como falso 9 mais uma vez.

A pressão e imposição física duraram pouco mais de dez minutos. Depois disso, embora tenha terminado o jogo com quase 60% de posse de bola, o Corinthians pouco assustou o Atlético, organizado em suas linhas de defesa e na saída para o contra-ataque em velocidade.

O pior dos fundamentos seria pelos lados do campo. Foram 44 cruzamentos errados e apenas seis certos, com um total de 12% de aproveitamento no quesito. Soma-se a isso o fato de que o time teve um centroavante na área apenas a partir dos 23 minutos da etapa final, com a entrada de Jô.

A ineficácia do ataque também ficou escancarada nas finalizações. Mais um percentual baixo: apenas 15% de acerto. Onze finalizações para fora, apenas duas no gol de Fernando Miguel. Muito pouco ou quase nada para um time que precisava reverter um 2 a 0.

As decisões

Tido como um dos melhores, se não o melhor da temporada, Mateus Vital começou novamente no banco de reservas. Perdeu vaga para Araos, que até então, antes de Sylvinho, praticamente não havia jogado na temporada. O chileno segue sem justificar sua condição de titular.

Sem o artilheiro e garçom em campo e sem um centroavante para aproveitar os infinitos cruzamentos na área, o Corinthians teve em Gustavo Mosquito sua válvula de escape. Foram inúmeras as jogadas que passaram pelos pés do atacante, concentrado da ala direita para a ponta de entrada da área.

“Sozinho”, Mosquito foi praticamente inofensivo, a não ser por uma chance clara na etapa final, cara a cara com Fernando Miguel. Luan, mais uma vez, escalado fora de sua posição preferida, foi inócuo. Não finalizou, trocou apenas 19 passes e apenas um drible.

O Corinthians se posta de maneira ordeira em campo, há certa lógica na teoria proposta, mas, na prática, a equipe não apresenta soluções. Problema aparentemente mais sério de se resolver.

O futuro

Sem mais “problemas” pela frente, competições que disputaria sem chance real de título, o Corinthians agora volta todas as suas atenções para o Brasileirão. A missão é terminar da metade para cima na tabela de classificação. O que só será possível com muito trabalho de Sylvinho.

O trabalho passo a passo precisa ser norteado com o sinal de alerta sobre o nível altíssimo de competitividade do campeonato e com a certeza de que é possível extrair mais e criar mais opções dentro desse elenco. O cobertor é curto, mas é único. Não há para onde fugir.

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